Recentimente li uma interessante matéria publicada pela revista Época. Tratava da turma do "Eu me acho". A reportagem foi bem construída e apresenta bom embasamento. Como professora, simpatizei com as palavras do professor inglês David McCullough dirigida a seus alunos em evento de formatura: "Não tenham a ideia errada de que vocês são especiais. Porque vocês não são." Não que eu tenha desejo de fazer minhas as palavras de McCullough, mas elas resumem uma problemática atual na educação que pais têm dado a seus filhos.
A matéria explica, de forma quase que didática, que a origem do mal estaria relacionada a uma ideia equivocada difundida pelo movimento de autoestima surgido no final dos anos 60. O conceito base do movimento seria algo do tipo: incentive a autoestima de seu filho/aluno e ele obterá sucesso. Depois, o artigo procura desenvolver a seguinte linha de raciocínio: pais e educadores, na tentativa de elevar a estima de seus filhos, tornaram-se permissivos demais. O resultado foi uma geração que cresceu sem aprender a lidar com frustações e, por conseguinte, age como bebês mimados.
Essa linha parece ser um pouco simplista, porém já é suficiente para fazer-nos refletir sobre o tipo de educação que temos dado a nossos filhos. O raciocínio só podia ter ido mais adiante, mostrando que essa turminha que "se acha" já está deixando seu legado. Uma nova geração, filha dessa que foi educada permissivamente, já está se formando. Por isso, pior do que dizer que a um aluno que ele não e especial, é falar diretamente isso para a mãe dele...
O texto é um bom material para discussão embora ache que o artigo tenha falhado em um aspecto: a turma do "Eu me acho" não é formada exclusivamente por pessoas que pertençam a classes mais favorecidas e cujas famílias disponham de recursos para garantir uma escola de qualidade, viagens culturais ou aprendizado de outros idiomas. Qualquer um com a estima inflamada, que se destaca de um pequeno grupo por algum feito, é perfeitamente capaz de fazer parte desse grupo. Pelo menos é isso que minha experência em escolas com alunos de baixa renda tem me mostrado. Em todo lugar, podemos encontrar pessoas "se achando".
Se quiserem ler a reportagem na íntegra, acessem
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