segunda-feira, 30 de julho de 2012

Definitivamente autoestima elevada não é causa de sucesso

  Recentimente li uma interessante matéria publicada pela revista Época. Tratava da turma do "Eu me acho". A reportagem foi bem construída e apresenta bom embasamento. Como professora, simpatizei com as palavras do professor inglês David McCullough  dirigida a seus alunos em evento de formatura: "Não tenham a ideia errada de que vocês são especiais. Porque vocês não são." Não que eu tenha desejo de fazer minhas as palavras de McCullough, mas elas resumem uma problemática atual na educação que pais têm dado a seus filhos.
     A matéria explica, de forma quase que didática, que a origem do mal estaria relacionada a uma ideia equivocada difundida pelo movimento de autoestima surgido no final dos anos 60. O conceito base do movimento seria algo do tipo: incentive a autoestima de seu filho/aluno e ele obterá sucesso. Depois, o artigo procura desenvolver a seguinte linha de raciocínio: pais e educadores, na tentativa de elevar a estima de seus filhos, tornaram-se permissivos demais. O resultado foi uma geração que cresceu sem aprender a lidar com frustações e, por conseguinte, age como bebês mimados.
     Essa linha parece ser um pouco simplista, porém já é suficiente para fazer-nos refletir sobre o tipo de educação que temos dado a nossos filhos. O raciocínio só podia ter ido mais adiante, mostrando que essa turminha que "se acha" já está deixando seu legado. Uma nova geração, filha dessa que foi educada permissivamente, já está se formando. Por isso, pior do que dizer que a um aluno que ele não e especial, é falar diretamente isso para a mãe dele...
    O texto é um bom material para discussão embora ache que o artigo tenha falhado em um aspecto: a turma do "Eu me acho" não é formada exclusivamente por pessoas que pertençam a classes mais favorecidas e cujas famílias disponham de recursos para garantir uma escola de qualidade, viagens culturais ou aprendizado de outros idiomas. Qualquer um com a estima inflamada, que se destaca de um pequeno grupo por algum feito, é perfeitamente capaz de fazer parte desse grupo. Pelo menos é isso que minha experência em escolas com alunos de baixa renda tem me mostrado. Em todo lugar, podemos encontrar pessoas "se achando".
     Se quiserem ler a reportagem na íntegra, acessem

sábado, 28 de julho de 2012

Coisas de Vitória


Vitória chegando a minha casa:
- Nelson! Ô Nelson! Vem cá! Nelsoooooon...
- Vitória, quem é Nelson? Aqui não tem nenhum Nelson...
- É o gato.
- Ah!... O gato é o Mozart.
- Ô Nelson! Nelsoooon...
- Vitória, eu não falei que o nome dele é Mozart?
Vitória solta um risinho e faz uma carinha maliciosamente angelical:
- Nelson! Ô Nelson...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Esta é minha linhagem

Os para sempre amigos: Queila, Carolina, Aline, Luis Marcelo, Solange. Vocês são minhas doces presença-ausência.
Os que quero para sempre bem: Juliana Maia, Michele, Alessandra, Eduardo (Du), Marcelly (nunca a esqueci), Juliana Ribeiro, Fernanda, Márcia de Assis, Roberto Machado, Luciene, Marlúcia.
Os anjos: Vilaci, Mariva, Rosi(lane), Ana Beatriz, Evandro, Marinha, Dulcinéia,Vó Oscarina, Léa, Cínthia. Agradeço a Deus por ter colocado vocês em minha vida.

Este post sempre crescerá em linhagem...

domingo, 15 de julho de 2012

Esta é a VERDADE: estão todos bem.

         
         Filme do gênero comédia dramática de 2010, Estão todos bem poderia passar como apenas mais uma refilmagem norte-americana, mas definitivamente não é. Quando digo que não é, não me refiro ao fato de ser refilmagem, já que a película é uma nova versão de Estamos todos bem (Stanno tutti bene), filme italiano de 1990 com Marcelo Mastroianni no papel de destaque. Refiro-me ao fato de não ser uma mera refilmagem.
        O diretor Kirk Jones conseguiu pegar a essência da versão original e transferi-la de modo peculiar para o seu longa-metragem. Ao contar a história de Frank, vivido por Robert De Niro, Jones procurou criar um novo Matteo (este é o nome do personagem que fora interpretado por Mastroianni).  Embora guarde traços com o original, Frank, ao mesmo tempo em que é único, é universal, pois carrega traços característicos de todos os pais sem ser caricato. É aí que está a genialidade da interpretação de De Niro. Quem não reconheceu um pouco de seu próprio pai em Frank?
          O enredo pode parecer ingênuo, porém apenas para olhos desatentos. A história de Frank, um pai de família viúvo, que dedicou a vida para sustentar os filhos trabalhando com revestimento de PVC em cabos telefônicos, tem muito o que mostrar aos espectadores. Quando esse pai, indo contra recomendações médicas, resolve visitar de surpresa os  quatro filhos, moradores de cidades diferentes, porque estes disseram que não poderiam comparecer à reunião de família, vi que uma pequena odisseia em busca da verdade estava para se iniciar.
        Ao longo de Estão todos bem, pude notar pequenos indícios que revelam Frank um homem não preparado para verdade. Sua falecida esposa, mesmo tendo-o poupado de pequenas situações relacionadas às crianças,  costumava dizer-lhe que ele precisava observá-las melhor. E será justamente isso que fará durante a curta visita aos filhos. O processo pela verdade será lento.
          Depois que tentou visitar o primeiro filho - David -, Frank segue caminho para outra cidade a fim de encontrar sua filha  Amy. Quando está viajando, ele troca alguma palavras com uma passageira e diz que conseguiu escapar de Alice, um furacão que estava devastando a costa americana. Aqui você pode achar que não há nada de mais no diálogo entre esses personagens, mas engana-se se pensar assim. O fato de a passageira também se chamar Alice e dizer que seu nome significa verdade já é uma pista. Seria isso uma coincidência? Tolos tenderiam a achar que sim.
         Cenas adiante, deparei-me com outros indícios. Após ter encontrado Amy e Robert, seu outro filho, e perdido o horário do ônibus, Frank pega carona com uma caminhoneira, com quem troca algumas ideias, para chegar ao Texas e visitar Rosie, a filha dançarina. É durante essa conversa que nós, leitores como eu e você, temos a oportunidade de ouvir a motorista comentar: "As pessoas são educadas, você sabe que nem todos dizem a verdade" e "Ignorei todos os sinais, a gente sempre faz isso". Essas falas caem perfeitamente bem para o momento em que Frank se encontra. Elas irão ao encontro de outro comentário dito no instante em que o nosso grande personagem terá uma espécie de revelação (a la Clarice pode soar um pouco pretensioso) quando estiver desacordado tendo um ataque cardíaco.
       Depois de ter visitado todos os filhos e estar em pleno voo para casa, Frank sofre um processo catártico metaforizado justamente pelo síncope no coração. Tudo parece casar: o personagem tem medo de altura, mas enfrenta o medo (resolveu ir de avião para o lar); ele teme a verdade, mas, já sem ignorar os sinais, confronta-a. Frank junta as peças e dá-se conta que não conhece a verdade sobre os seus filhos. Nem todos são bem-sucedidos como sua falecida esposa o fizera acreditar. Toda essa verdade vem à tona quando, em sonho, está reunido com os filhos e pergunta por que eles esconderam a verdade e o que deve dizer a mulher. A resposta de Rosie é simples: "Se a ama, diga a ela só o que quer ouvir".
        Nesse momento está a grande mensagem do filme: por amor, às vezes, escondemos a verdade dos entes que mais amamos, e também a sua grande lição: por amor, não devemos escondê-la e, se assim alguém o fizer, não ignoremos os sinais. Frank entendeu a lição, por isso, quando ao final diz "desde que seja feliz ficarei orgulhoso", na verdade, está dizendo a todos os filhos que não importa  se gostam de meninos e meninas, se são separados ou se não são maestros como desejara, ficará orgulhoso apenas se forem felizes.
         É por toda essa reflexão que o filme, que para mim deveria ser classificado como drama cômico, não é meramente uma história de família, mas da verdade e do amor. Quem por um acaso disse que o remake é superficial, desculpe-me, mas acredito que não tenha sido bom observador. A verdade exige olhos atentos. Não ignore os sinais.